terça-feira, 26 de maio de 2009

A TRANSFORMAÇÃO PELO AMOR

"Somente o amor que renuncia, sabe caminhar para a vida" - Jesus

Muitos de nós talvez lembremos de uma cena que desenhamos em nossa mente, quando pela primeira vez tivemos conhecimento desta passagem.

Rompendo as portas da casa de um homem muito rico, chamado Simão, uma mulher procurava pelo mestre Jesus, que ali estava aquela noite.
Aproximando-se dele, causando espanto a todos, ela atira-se a seus pés, e uma chuva de lágrimas irrompe de seus olhos tristes.

As gotas de um coração opresso lavam então os pés do Cristo, misturadas a um perfume que ela trazia num vaso de alabastro. Seus longos cabelos enfim secam-nos, complementando o gesto de humildade e reconhecimento.

De onde vinham aquelas lágrimas? O que significavam? Pareciam guardadas há tanto tempo... Maria, da cidade de Magdala, buscava um sentido maior na vida... buscava um amor verdadeiro... um sentimento que estivesse distante das ilusões afetivas em que vivia, que fosse além de encantos físicos passageiros, que aplacasse sua profunda sede... E ali, na proposta do Mestre, ela o encontrara...

Há pouco tempo, em conversa em casa de Simão Pedro, ele havia lhe falado sobre este amor, um sentir que conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção.
Um amor sincero que não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; ele trabalha sempre, sem amargura e sem ambição...

A lição, que jamais seria esquecida por ela, terminava nas seguintes palavras: - Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema!...
E assim ela o fez... Entregou-se, doou-se ao mundo enfermo por toda a vida, deixando para trás o passado infeliz, e sorrindo para o futuro, transformada pelo amor.

Os leprosos tiveram o consolo de alguém que havia conhecido o Cristo, que havia bebido de sua fonte de esperança sem fim, e puderam assim receber carinho, atenção e dedicação - os filhos queridos do Amor.

E nossa transformação pelo amor, quando virá?
Ela terá seu início quando pudermos amar nossa família, quando pudermos perdoar estes próximos que dividem o lar conosco e compreender suas dificuldades.
Virá quando conseguirmos dedicar um maior tempo à célula familiar e colocarmos a educação dos filhos como prioridade em nossas existências.

Estará no tempo que dedicaremos, semanalmente, ao serviço assistencial, ao trabalho voluntário, em que doaremos principalmente nossa atenção, nosso carinho, praticando a tão necessária caridade em todas as suas nuanças.

Ela virá quando não mais permitirmos que as ambições materiais falem tão alto, a ponto de emudecerem as conquistas do espírito; quando os problemas financeiros não mais tirarem nosso sono nem prejudicarem nosso humor e nossos relacionamentos com as pessoas; quando questionarmos a alguém "Como vai?", querendo realmente saber como está essa pessoa, interessados nos outros, e não fechados nas conchas do mundo moderno, que criam relações superficiais e frágeis.

Virá quando decidirmos viver no mundo - fazendo-o crescer, dando a nossa contribuição, - sem ser do mundo, sem colaborar com suas tristezas, sem sermos seduzidos pelas ilusões materiais e pelos modismos vazios que buscam nos afastar da religião, dos bons costumes e da prática do bem.

E sua transformação pelo amor, quando virá?

Texto de Andrey Cechelero, cantor, compositor e escritor. Integrante do Departamento de Infância e Juventude (DIJ) da Federação Espírita do Paraná; coordenador de Juventude Espírita do Centro Espírita Ildefonso Correia, em Curitiba - PR. Fonte: Jornal Universo Espírita – maio/2001


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