quinta-feira, 4 de junho de 2009

MORTE SÚBITA E DESENCARNE COLETIVO

"Se o gládio da morte violenta te busca o lar, faze silêncio e confia-te ao tempo, o médico invisível que nos restaura as energias do coração. Não blasfemes, nem desesperes. Aguarda o Amparo Celestial, mantendo a certeza de que tudo aquilo que hoje ignoras, amanhã saberás." Emmanuel

Publicamos abaixo uma palestra interativa, extraída do portal Panorama Espírita, de forma que nos dê suporte para que possamos compreender um pouco mais, pela visão que o Espiritismo nos dá, as situações que nos causam intensa comoção e tristeza, como os desencarnes coletivos e as mortes súbitas.


Difíceis ainda para nós, pela carga de sofrimento e dor que a ausência física dos nosso amados traz, somente a fé, alicerçada no entendimento, poderá trazer um lenitivo aos corações que passam por tamanha provação.
Que Deus envolva as almas que perderam seus corpos de forma tão trágica e abrupta, assim como também a todos seus amores que ficaram.

Palestrante: Eneida Caruso
Perguntas/Respostas

Perg.: A morte súbita é uma fatalidade?

Eneida Caruso: Vamos responder a esta questão com o conteúdo da questão 851 de “O Livro dos Espíritos”, que nos diz assim: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. (...) Falo das provas físicas, pois pelo que toca as provas morais e as tentações o espírito, conservando o livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.”


Perg.: Os desencarnes coletivos são resgates?

Eneida Caruso: É certo que a Providência Divina reúne, por força das necessidades das criaturas, estas mesmas criaturas em torno de circunstâncias que promovem o desencarne coletivo. Lembrando que o acaso não existe, nos reportemos à questão 737 de “O Livro dos Espíritos”,onde os espíritos nos dizem que Deus fere a humanidade por meio de flagelos destruidores para fazê-la progredir mais depressa.


Perg.: Qual a situação do espírito no caso da morte súbita. O desligamento do corpo físico também é súbito?

Eneida Caruso: Para responder essa questão temos que entender que a condição evolutiva do espírito desencarnante faz com que este tenha um entendimento mais amplo ou não, que possa avaliar as suas condições no momento do passamento. Existem inúmeros relatos de espíritos que, diante da morte súbita, sequer se dão conta do acontecer e de outros tantos que tomam conhecimento do fato por si mesmos e com o auxílio de amigos espirituais que o antecederam ao fenômeno da morte e o recebem no plano espiritual. Quanto ao desligamento do perispírito, estes laços também serão cortados de forma súbita e para alguns mesmo de forma dolorosa. É como se o próprio corpo físico expulsasse o corpo espiritual e, conseqüentemente, o espírito.


Perg.: A maior dificuldade para os que ficam e para quem desencarna no caso de morte súbita, é a falta do “acerto de contas”, ou seja, o perdão das ofensas, os últimos pedidos e a preparação para uma despedida?

Eneida Caruso: Tudo isso influi no momento da separação dos entes queridos que ocorre com a morte súbita. Além do choque, uma das questões que mais aflige a quem fica, ou até mesmo para quem parte, é a sensação de deixar coisas mal resolvidas.


Perg.: Uma pessoa que nunca viajava de avião porque sonhava com acidentes horríveis. No entanto, morreu quando um avião caiu sobre o seu carro. Existem casos em que a criatura nunca poderá fugir do seu “destino traçado”?

Eneida Caruso: É como nos reportamos inicialmente à questão 851 de “O Livro dos Espíritos” onde se diz que a fatalidade existe unicamentepelas escolha que o espíritos fez ao encarnar desta ou daquela prova. E prosseguem os espíritos dizendo: “Escolhendo-a (a prova), institui para si uma espécie de destino.


Perg.: “O Livro dos Espíritos” nos coloca que o momento da morte é a única fatalidade. Como entender isto relacionando com mortes súbitas, principalmente em caso de acidentes?

Eneida Caruso: Continuamos a afirmar que a morte súbita é um meio pelo qual o espírito escolhe vivenciar suas provas. Talvez ainda o que nos falta entender é ver a morte não como um castigo, mas como um fenômeno que faz parte da natureza humana, ou seja, de espíritos que estão na condição de encarnados, tanto quanto faz parte desta mesma natureza o nascimento.


Perg.: A fase de perturbação espiritual é mais complicada no caso da morte súbita?

Eneida Caruso: Depende. Sempre vai concorrer nestes casos o conteúdo que o espírito traz ao longo de suas experiências. Não esqueçamos que, ao analisar a morte de um ente querido, estaremos falando também daquilo que ele, como espírito, já conseguiu incorporar no seu ser ao longo dos séculos de existência. Portanto, a fase de perturbação espiritual poderá variar de breves instantes a meses ou anos, dependendo de sua condição evolutiva.

Perg.: Os que desencarnam de morte súbita sofrem mais do que aqueles que já tem a morte esperada?

Eneida Caruso: Não necessariamente. Reafirmo que o sofrimento do espírito em relação a morte dependerá das conquistas já realizadas. É claro que, em geral, os que têm a morte esperada têm maior tempo para se preparar para o passamento, o que não quer dizer que eles o façam efetivamente.


Perg.: Qual o ensinamento contido neste contexto para quem desencarna e para os entes queridos que ficam?

Eneida Caruso: Sem dúvida nenhuma, estaremos aí, tanto quem “morre”, quanto quem fica, exercitando a nossa parcela de fé em Deus e de confiança na justiça divina. Principalmente o sentimento da justiça é uma das questões que mais se sobressaem nos corações que sofrem com a perda súbita de um ente querido. E a primeira pergunta que fazemos é: “Por quê, meu Deus?” Isto se agrava mais ainda se pensarmos nas mortes súbitas que tenham como fundo um assassinato.


Perg.: É possível, mesmo, desencarnar sem antes cumprir a “missão”? Isso segue algum critério ou é uma opção? O espirito pode evoluir com isso?

Eneida Caruso: No dizer dos espíritos a Kardec, relatado no livro “Obras Póstumas”, a missão somente pode justificar-se pela obra realizada. Portanto é possível que nós desencarnemos sem cumprir aquilo que nos coube realizar na obra da criação enquanto espíritos residentes aqui na Terra. Não diria que para isso exista algum critério, mas fica sempre a liberdade de escolha do espírito de ceder ou de resistir diante das provas que lhe cabem cumprir. Para o espírito isto será sempre uma forma de experiência, mesmo que tenha uma colheita “amarga”.


Considerações Finais do Palestrante:

Eneida Caruso: A questão da morte súbita para nós ainda é, dado o nosso nível de compreensão das questões espirituais, um motivo de dor para os nossos corações, tanto de quem fica, como de quem parte. Dor esta, principalmente, causada pela ausência física daqueles a quem
amamos.
Importa neste momento ressaltarmos o valor da Doutrina Espírita em nossas vidas que nos permite conhecer de formas tão amplas a vida no mundo espiritual permitindo, assim, que nos preparemos mais diante de situações como estas relatadas no estudo de hoje.

Ressaltemos também a consolação que a Doutrina nos proporciona, principalmente através das comunicações mediúnicas, onde podemos ouvir os relatos tanto dos espíritos superiores quanto de espíritos que desencarnaram de forma súbita; e tenhamos a certeza de que em qualquer circunstância teremos o amparo de Deus através de espíritos familiares e amigos que recebem os desencarnantes e auxiliam aos que ficam.

Temos também a noção da continuidade da vida, da imortalidade e individualidade da alma, a certeza absoluta da realização da justiça de Deus; o exercício constante da nossa fé em Deus; e acima de tudo, nos momentos mais difíceis, o recurso da prece como forma de buscar o contato com fontes superiores e prosseguirmos na luta que nos cabe realizar num mundo de provas e expiações como ainda é a nossa casa Terrena.

Fiquem com Deus!


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