segunda-feira, 1 de junho de 2009

O DESENCARNE NA INFÂNCIA

Apenas quem já perdeu um filho na infância pode descrever a dor que sente neste momento tão doloroso.
Como se o mundo girasse ao seu redor, você pensa estar vivendo um pesadelo e que, ao acordar, tudo voltará ao normal.

Mas a realidade se mantém e você não entende o porquê de estar acontecendo tudo aquilo. Chega a duvidar da justiça Divina e as perguntas
constantes permanecem: Por que meu filho se foi tão jovem, cheio de vida, com um futuro promissor? Por que eu não fui em seu lugar?

As indagações são muitas, mas a resposta só vem com tempo.

A família tem que estar muito unida em um momento como esse. A religião é um bálsamo para a dor que, em certos dias, parece ser infinita.

Temos que ser fortes e acreditar que nada acontece por acaso.
A revolta e o descrédito em Deus não são justos. Há momentos na vida em que precisamos passar por determinadas experiências, para que possamos ter uma visão de vida diferente da que temos atualmente.

O desencarne de uma criança comove ate as pessoas que mal conhecemos. Richard Simonetti
descreve em seu livro Quem tem medo da morte?: “O problema maior é a teia de retenção formada com intensidade, porquanto a morte de uma criança provoca grande comoção , ate mesmo em pessoas não ligadas a ela diretamente.
Símbolo da pureza e da inocência, alegria do presente e promessa para o futuro, o pequeno ser resume a esperança dos adultos, que se recusam a encarar a perspectiva de uma separação.

Lamentar a perda prejudica o espírito

As lamentações, o choro e a fixação no ente querido que desencarnou prejudicam sua reabilitação no plano espiritual, fazendo com que ele sofra vendo tamanho desespero de seus familiares. A oração é o melhor remédio para todos. Pedir a Deus que proteja e auxilie seu filho no plano espiritual é a maneira correta de lhe fazer o bem.
Reviver a tragédia que ocorreu no plano terrestre pode ser um martírio, pois no plano espiritual, há toda uma equipe de trabalhadores dando o suporte necessário ao desligamento do espírito do aparelho físico. Alem do mais, conforme explica Simonetti, “o desencarne na infância, mesmo em circunstancias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência terrestre. Somente a partir da adolescência é que entrará na plena posse das suas faculdades”.

Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: “Por que a vida frequentemente é interrompida na infância? A resposta dos espíritos é a seguinte:” A duração da vida de uma criança pode ser para o espírito que esta nela encarnado, o complemento de uma existência interrompida antes de seu termo marcado e sua morte, no mais das vezes, é uma prova ou uma expiação para os pais”.

Com o tempo, você vai encontrando respostas para suas indagações. A lembrança daquele filho que se foi talvez nunca sairá de sua mente, mas sempre que pensar nele, pense com carinho, enviando boas vibrações, para que, onde ele se encontre, possa sentir todo o amor que você emana.

Reencontro no plano espiritual

A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da vivencia que, aos poucos, vai tornando-nos mais seguros e menos propensos às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas de hoje em dia.

Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos.

Artigo do informativo NOVA ERA, da Sociedade Espírita Simão Pedro-RS, Agosto/2004, por Marco Túlio Michalick

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