sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DIVÓRCIO, DESQUITE, SEPARAÇÃO, COMO QUEIRAM. - 1/2

Procurávamos o assunto que poríamos em pauta para o estudo do mês e de "moto próprio", um espírito manifestou-se e narrou-nos o seguinte:

"Vou contar-lhes uma história muito verdadeira, pois é a história de um amargurado trecho de minha vida, e que dura até hoje e não sei em que época terá fim. Sabemos o ano, o mês, o dia, a hora, o minuto em que cometemos o erro, mas jamais saberemos quando terminaremos de corrigi-lo; e até lá, o remorso nos crucia.

Encarnei-me em família abastada na capital de um dos Estados do Brasil. Minha infância decorreu tranquila, e minha adolescência, no estudo e nas ilusões próprias dessa idade. Aos vinte e dois anos casei-me por amor, no que era correspondida.

Depois do nosso terceiro filho, já tinhamos duas menias, notei as mudanças em meu marido: já não era o companheiro gentil de outro tempo; nossos passeios domingueiros rareavam; não mais nos levou ao clube, apesar das insistências das crianças, sempre havia um pretexto para ausentar-se do lar e mesmo em nosso leito conjugal, evitava-me.
Um dia, descobri a verdade e meu coração doeu, como se um punho de ferro o apertasse: meu esposo já não me era fiel, tornara-se um adúltero.
Começaram então as rusgas, os atritos , as discursões, até que a discórdia total se instalou em nosso lar. Aconteceu que no auge de uma altercação e que lhe atirei no rosto o que eu sabia, respondeu:'Faça o que quiser; eu estou por tudo.'

Daí por diante, um ódio surdo doia-me: queria que ele sofresse a mesma dor que me consumia, humilhá-lo como ele me humilhara. E maquinei uma vingança. Louca que fui!
Em vez de manter-me pura, guardiã do meu lar, guardiã de meus filhos, que eu não tinha, que nós não tínhamos o direito de destruir; de protegê-los, de orientá-los, encaminhá-los, agir enfim como uma verdadeira mãe e lutar para recuperar-lhes o pai desencaminhado, nada disso fiz; só dei azo ao meu egoísmo, ao egoísmo feroz.

Eu era bonita e bem conservada; ainda provocava olhares admirativos em nosso meio social. Tornei-me por minha vez uma adúltera. A princípio com um primo afastado, que me cortejava quando solteira; logo depois com um amigo de meu marido, que me lançava olhares gulosos. E eu pensava: 'Ele não me disse que eu fizesse o que quisesse? Pois fiz, e ele há de descobrir!.'

E ele descobriu. Com o rosto cor de cera, peguntou-me:' Voce fez isso?'
Ora, respondi-lhe altaneira. Você não disse que estava por tudo e que eu fizesse o que quisesse? Pois aí está!

O processo de desquiste correu célere. Separamo-nos. Meus filhos foram para a casa dos avós paternos. Não tínhamos mais lar. Fora destruído por nós.
Meses depois, meu ex-esposo suicidou-se. E meus filhos voltaram a viver comigo, desorientados, não mais me respeitaram. Fizeram-se rebeldes, maus alunos, não mais me obedeciam. Seus pais....eramos para eles, ídolos estilhaçados.

Mal passaram a puberdade e meu filho era um alcoólatra, uma filha frequentadora assídua de boates e a mais velha, amante do diretor da empresa onde trabalhava. Ao se aproximarem meus trinta anos, desencarnei.
Conheci imediatamente o meu estado e ralada de vergonha, permaneci ao lado do ataúde.

Meu filho chegou alcoolizado e abraçado por dois espíritos horríveis, também alcoólotras; debruçou-se sobre o caixão, quase derrubando-o, no que foi impedido pelos circunstantes. E minhas filhas intimamente se lamentavam por não poderem comparecer a compromissos noturnos.

Continua...

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