sábado, 15 de agosto de 2009

DIVÓRCIO, DESQUITE, SEPARAÇÃO, COMO QUEIRAM. - 2/2

Acompanhei o enterro de meu corpo. Parentes e amigos cumprinham aquele dever indiferentes. Não recebi uma prece sequer. No entanto comentavam vivamente o meu desquite, suas causas, suas conseqüências, o que aumentava minha vergonha e acendia meu remorso.

Fiquei só no cemitério. Sentei-me no túmulo e pus-me a chorar.Aproximou-se de de mim uma quadrilha de maníacos sexuais, tentando agarrar-me. Não sabendo como me livrar deles, clamei pelo meu marido.

'-Teu marido?! Pois hás de vê-lo!'- Exclamaram rindo e afastando-se.
E chorando, recordei os belos sonhos de noivado; por onde andaria ele?
E pecebi que me movia; era como se eu deslizasse, como se escorregasse por uma aldeira, sempre para baixo, posto que suavemente.

Penetrei num vale sombrio, nevoento, donde partiam gemidos, gritos estentóricos, imprecações, gargalhadas de loucura. Parei perto de um espírito vestido de trapos apodrecidos, de barba e cabelos hirsutos, tendo no lado esquerdo do peito, uma ferida sanguinolenta.
Era o meu marido. Não me reconheceu.A mesma força que me fizera descer, segurava-me ali, junto dele, embora eu trabalhasse por fugir. E no meu desepero uma voz irônica falou em meu ouvido: ' Divóricio aqui não vale'.

Consumida de remorso e de dor, sentei ao seu lado, apoiando-lhe a cabeça em meu regaço. Ele tinha visões ante as quas esbravejava. Quanto tempo assim permanecemos: Ele a bracejar e urrar, eu a chorar perdidamente? Não o sei. Alguém murmurou ao meu lado:' Recorra à prece'.
Uma ocasião, parecendo reconhecer-me, bradou enlouquecido: 'O que fizemos de nosso lar? onde andam os nosso filhos? E recaiu em seus delírios.

Um grupo socorrista passou e recolheu-me. Hoje habito uma esfera espiritual, bem próxima à Crosta da Terrena, a qual aportam os náufragos do casamento. É uma colônia educacional. Dentre seus vários departamentos, sobressai o Departamento de Educação para o Casamento. É um edifício de rara beleza, construído de uma substância translúcida, que aos raios vigorosos do sol, ou à suavidade da lua e das estrelas, produz deslumbrantes efeitos de luz.

Resumirei, dando-lhes um pálida idéia do que lá aprendemos.
Submeti-me a um treinamento, para participar de um grupo que ampara os casais terrenos cujo casamento ameaça malograr-se, conquanto respeitemos-lhes o livre arbítrio, no qual não podemos interferir.
O tempo que me sobra, quase todo ele consagrado ao trabalho e ao estudo, posso dedicá-lo aos meus filhos encarnados e ao meu marido, que permanecerá no Vale ainda alguns anos.

O mentor de nossa Colônia, um espírito boníssimo, mostrou-me a necesidade de voltarmos à Crosta de mãos dadas novamente, para corrigirmos os erros de nossa última encarnação, bem como retificarmos os comentidos em encarnações anteriores, que praticamos juntos e que nossa separação não permitiu, fazendo com que perdêssemos essa oportunidade, e principalmente, para recebermos em nosso seio três aleijões morais, produtos do nosso divórcio.E então trilharemos o longo e penosíssimo caminho da reparação.

Nós que poderíamos ter desencarnado como pais e avós abençoados, eis o que ganhamos, eis o prêmio da nossa separação!

Continuando , digo-lhes que: Dentre a instituições respeitáveis que existem na Terra, a mais sagrada é a do casamento; nenhuma outra se lhe avantaja.As ilusões passageiras do mundo, nos fazem relegar o lar, que é um lugar santo, para um segundo ou terceiro plano, esqucidos de que os cônjujes entre si devem dar-se apoio total, os quais o darão aos filhos. E lembrarem-se de que um lar sem marido, é como um navio sem capitão.

Quando o lar é bem administrado e abriga o Amor, merece o auxílo do Alto, e assemelha-se a um Altar, onde espíritos amigos de outras vidas se acolhem, porque o lar é puro. O lar onde a discórdia reina, vira refúgio de espíritos pouco evoluídos, que dão vazão a seus instintos baixos, vicosos e perversos, diminuindo-lhe sensivelmente o padrão vibratório. E daí para o fim, é um passo curto.

Quantas vezes um dos cônjujes se esforça para agradar o outro, o qual como que não nota, não procura aproximar-se, criando assim problemas de coompreensão, que facilmente seriam evitados com um pouco mais de carinho, de atenção de parte a parte.
Uma boa palavra para o ser amado, um sorriso, um pequenino gesto de amor, valem mais, muito mais para a felicidade do lar, do que uma jóia de alto preço.

É de fazer pena, do lado de cá, assistir às aflições dos maus amridos, das más esposas responsáveis pela destruição dos lares, impedindo que se desenvolvesses espíritos programados para eles. Quando aqui abrem os olhos, é tarde, muito tarde...

Cuidem os cônjujes de que seu lar seja uma fortaleza contra os maus; cuidem dse seus atos e de suas palavras, para que haja o respeito e a compreensão mútuos, base essencial de um bom casamento.

Quem com o Cristo quer viver, não pode falir na instituição sacrossanta do casamento. Engrandeçam-se os cônjujes no santuário do lar. E os que falharam, corrijam-se que ainda é tempo. Futilidades, rusgas, incompatibilidade de gênio, desvenças que podem ser evitadas e sem custo, perdoadas. Orgulho, vaidade e outras causas que comumente se apresentam ao casal e são citadas para justificarem a separação, são tidas no pano espiritual, como motivos destruidores de oportunidades de os cônjujes se redimeirem entre si, queimando um carma comum aos dois.

O desquite em si ( ou divórico, separação, como queiram), pelas leis terrenas nada mais é do que um distrato, uma tentativa de romper antes do tempo, os elos espirituais, o laço divino do casamento. Tal qual o suicida que tenta arrebentar os laços perispíritico que o liga ao corpo e que só a morte natural romperia.
A exemplo dos suicidas, os espíritos desquitados perdem todos os seus direitos na espiritualidade. Barreiras intransponíveis se lhe formam pela frente, interceptando-lhes as ocasiões de progresso. E o motivo que os separou, continua no além túmulo, alimentando o ódio entre os cônjujes, porque o divórcio não está no carma de ninguém. E quando tomam consciência do ato praticado e da oportunidade de redenção perdida, entregam-se a desesperos inconcebíveis. Porque se houve união dos dois foi para que juntos lapidassem seus Espíritos, manchados pelos erros do passado e cometidos de parceria; para que se respeitassem mutuamente, partilhando o mais possível dos mesmos ideais.

E na seqüência do casamento, os filhos tivessem carinho e proteção, amor e orientação, enfim, braços amigos que os acalentassem, o lar de seus pais, o verdadeiro lar deles, filhos, o sentimento de mãe, que é tudo para eles, realizando assim o planejamento reencarnatório.

No além-túmulo não há distratos, nem desquites, nem divórcios, nem separação. As leis terrenas não vigem no plano espiritual. Lá os laços do matrimônio se desatam naturalmente, liberando os cônjuges, uma vez que bem cumpriram com seus deveres até o fim. E os desquitados um dia (quando, só o Altíssimo o sabe) terão de, noutra etapa reencarnatória, reconstruírem o lar que destruíram, trazendo para ele os filhos que se transviaram como conseqüência da separação dos pais, que são responsáveis pelo desencaminhamento deles, e co-réus nos erros que praticaram.

E agora uma última advertência: no sagrado instituto do casamento, os cônjuges que não se entreguem ao adultério, nem ele nem ela. O adúltero ou a adúltera, ao desencarnarem, caem nas mãos de Espíritos inferiores, obstinados no sexo, os quais os envolvem de tal maneira que os levam a terem uma vida vampiresca em espeluncas imundas terrenas.

E só com o perpassar do tempo, e com extrema dificuldade, é que conseguem libertar-se de seus captores.
O que me livrou deles foram as lágrimas de amargo arrependimento que derramei aos pés de meu marido.

Ó casais que estais trilhando a ilusória estrada da separação, parai! Voltai! Reconciliai-vos! Ela é enganosa! No fim dela há um despenhadeiro escuro."

Espírito: Clarinda, uma irmã de vocês
Autor: Eliseu Rigonatti
Livro: O Evangelho das Recordações – Memórias - pág. 157.

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