quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O DILEMA DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Um tema que vem ganhando grande repercussão aqui nos Estados Unidos é a questão de se o Governo Norte-Americano deve apoiar, através de financiamento Federal, as pesquisas realizadas com a utilização de células-tronco de embriões humanos.
Novamente o desenvolvimento da genética nos coloca frente às questões morais profundas, com o poder de modificar (ou seria atualizar) conceitos defendidos pelos espíritas.

O que são Células-tronco?
São encontradas em embriões com até uma semana de vida, aparentemente constituem o material perfeito para que cientistas desenvolvam novos e poderosos tratamentos para diversos tipos de doenças.

As células-tronco embrionárias são células-mestre que podem se especializar e formar diferentes tipos de células e tecidos no organismo. Ou seja, a partir das células-tronco se formam outros tipos de células especializadas e presentes em diferentes tecidos do corpo humano.
Devido a essa característica elas oferecem o potencial de regenerar órgãos ou tecidos lesados. O problema é que ao se extrair as células-tronco os embriões são mortos.

Atualmente existem três métodos para a obtenção de células-tronco embrionárias:
1. Utilização de embriões em excesso encontrados nas clínicas de fertilização, ou seja, os embriões não usados nos processos de fertilização assistida;
2. Criação de embriões especificamente para a obtenção das células-tronco, através da fertilização in-vitro, com a utilização de óvulos e espermatozóides de doadores voluntários;
3. A clonagem.

Uma vez desenvolvido o embrião, através dos métodos discutidos acima, os cientistas removem as células-tronco, matando os embriões. As células-tronco removidas são colocadas em um caldo rico em proteínas e enzimas onde podem crescer e se multiplicar.

Os cientistas estão desenvolvendo técnicas onde é possível direcionar o crescimentos das células-troncos em células especializadas desejadas. Assim, para diferentes tratamentos seriam desenvolvidas, a partir das células-tronco originais, células sanguíneas, pancreáticas, nervosas etc. Essas novas células sadias seriam implantadas em pacientes receptores com diversos problemas.

A esperança aqui é que as “novas” células (desenvolvidas em laboratório a partir das células-tronco) atuem terapeuticamente no receptor tratando doenças tais como Alzheimer, Parkinson, diabete, enfarte, derrame e lesão na medula espinhal

Aonde começa a vida?
Apesar dos benefícios que tais pesquisas podem trazer e a possibilidade de salvar várias vidas, as pesquisas com as células-tronco embrionárias encontram fortes opositores. O fato de que a retirada destas células causa a morte dos embriões levantou a ira da comunidade religiosa, notadamente as de origem cristã. Afinal, o cristianismo determina que a vida começa desde a concepção, portanto, matar embriões humanos seria o mesmo que retirar vidas humanas.

(Nota minha: O texto na íntegra, faz uma abordagem do ponto de vista de diversas religiões, aqui me aterei somente ao que nos diz a Doutrina Espírita e espíritas.)

Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
344- Em que momento a alma se une ao corpo?
A União começa na concepção, mas ela não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando, cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que se escapa, então, da criança, anuncia que ela se conta entre os vivos e servidores de Deus.

346 – Que acontece para o Espírito se o corpo que escolheu morrer antes de nascer?
Ele escolhe um outro.

353 – A união do Espírito e do corpo não estando completa e definitivamente consumada senão depois do nascimento pode-se considerar o feto como tendo uma alma?
O Espírito que o deve animar existe, de alguma forma, fora dele. Ele não tem propriamente falando, uma alma, pois a encarnação está somente em vias de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.

356- Existem natimortos que não foram destinados a encarnação de um Espírito?
Sim, há os que jamais tiveram um Espírito designado para os seus corpos: nada deviam realizar por eles. É, então, somente pelos pais que essas crianças vieram.

Conclusão:
Como sempre a posição exposta por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos me parece a mais adequada.
Minha interpretação de tais conceitos no Espiritismo é de que os embriões desenvolvidos para a pesquisa ou aqueles não utilizados pelos casais em processo de fertilizaçao assistida não possuem alma, sendo passíveis de destruição em prol da vida de outros. Ou seja, no âmbito da Doutrina Espírita não temos nenhuma consequência maior no fato de que vários embriões não cheguem a bom termo. Não estatriamos “matando” um ser, nem traumatizando o Espírito.

Novamente a conclusão aqui é que temos muito a aprender e que o Espiritismo e os espíritas devem acompanhar de perto a evolução da ciência.
A realidade é que não sabemos quase nada do processo reencarnatório, nos prendendo apenas às descrições feitas por André Luiz há mais de 50 anos atrás. Nenhuma pesquisa de maior relevância foi levada a efeito. Poucas vezes temos solicitado aos Espíritos que descrevam o processo, e muitas vezes temos assumido como verdades opiniões e descrições particulares.[...]

[...]Inaceitável é impedir o progresso científico, baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos arraigados em dogmas estanques, medievais, ou morais, como matizes de "defesa da vida". Não podemos permanecer na ignorância. A ciência tem que atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Kardec ensina que nos instruímos pela força das coisas.

Nas práticas médicas de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix.

Sobre o assunto, não temos fartas informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais, até porque, a prática do transplante é uma conquista recente da medicina.

Enfim, as pesquisas com células-tronco, adultas ou embrionárias e o transplante de órgãos (façanha da Ciência humana) são valiosas oportunidades, dentre tantas outras colocadas à nossa disposição, para o exercício do amor.[...]

Este post é uma junção das matérias:

5 comentários:

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