quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

COMISSÃO DE RECEPÇÃO


Se há algo realmente confortador na morte, é a presença dos seres amados, dos parentes e amigos queridos, domiciliados no mundo espiritual, os que fizeram antes a grande romagem, estendendo os braços para acolher o viajante cansado, ao término da jornada terrestre.

Eles fazem parte da comissão de recepção no limiar da Vida Nova e associam-se às equipes encarregadas dos traslados para a grande travessia.Às vezes, essa comissão de resume-se apenas a um único parente ou amigo, mas há sempre alguém acenando do 'outro lado'.


Os Espíritos Superiores esclareceram a Allan Kardec que esse encontro do desencarnado com os amigos e familiares que o antecederam dá-se imediatamente após a morte, de acordo com a afeição que se votaram reciprocamente, sendo que muitos o ajudam a desligar-se das faixas da matéria.

É uma graça concedida aos bons Espíritos o lhes vierem ao encontro dos que o amam, ao passo que aquele que se acha maculado permanece em insulamento, ou só tem a rodeá-lo os que lhe são semelhantes. É uma punição.(6)

Vamos relatar alguns trechos das 500 cartas psicografadas por Chico Xavier, para compreendermos melhor como os parentes e amigos atuam, e quais os meios de resgate de que se utilizam, nos casos de acidentes para o recolhimento dos doentes.

Angelo Di Sarno (8) - relata: Então, senti que mãos amigas me carregavam e me puseram dentro de outro carro, sem que eu pudesse saber, de momento, que era uma ambulância. notei vagamente que o carro se puseram em movimento e que me transportavam para algum lugar.
Um senhora, falando um harmonioso italiano, convidou-o ao repousou:

Você está cansado e precisa repousar: Durma. Pode dormir sem medo(...) Você será transportado, durante o sono, para o lugar de nossa moradia. Durma...Durma!

Dormi pensando que eu ainda teria a chance de ir a nossa casa para abraçá-la e abraçar o Papai Aniello, e os irmãos Giovani e André, mas acordei numa outra paisagem. Não mais me senti dentro do carro e, sim, numa casa acolhedora cercada por um bonito 'giardino'.

Embora muito fraco, perguntei quem era aquela senhora que me socorrera no veículo, dirigindo-me a ela mesma. Ela me disse sorrindo:

-Meu filho, somos tantos corações aqui reunidos que para alcançar a sua compreensão, direi apenas que sou avó da avó de sua avó Ana Maria e deixei a Itália há muitos anos.

Vítor Fernando Stocco Júnior - o Vitinho- nasceu dia 13 de Fevereiro de 1974 e faleceu, com 15 anos, a 8 de Setembro de 1989. Nesse dia, ele estava em um Clube de Campo, na cidade de Itapevi(SP) em companhia de casais amigos de sua família e de seus filhos. Na manhã do dia 8, ao sair da barraca de acampamento, foi acometido de um mal súbito e caiu, sendo levado a um pronto-socorro próximo ao Clube, mas já chegou em óbito. Os médicos consideraram como causa-mortis a ruptura de aneurisma cerebral. Escrevendo a seus pais, Vítor Fernando Stocco e Lúcia Regina Romano Stocoo, o adolescente descreveu o socorro que recebeu (9):

Entre o abatimento e o socorro, vi que um senhor de idade madura me abraçou e disse:
-Não se aflija. Sou seu 'bi' e aqui me encontro para cooperar com o papai e a mãezinha.
Eu não tinha intimidade com ninguém que pudesse se apresentar naquela condição. Quase balbuciando as palavras indaguei sobre que 'bi', e ele me respondeu;

-Sou seu bisavô Vítor e vim convidar você para o repouso.

Aí, carregou-me nos braços; foi quando falei àquele parente:

-Sou também Vítor e desejo a sua paz.

Aquele 'bi' era o bisavô paterno, Nicanor Vítor Stocco, desencarnado, que veio em auxílio ao bisneto nos umbrais do Além.

Rodrigo Junqueira Alves de Souza - um trágico acontecimento também abalou Frutal (MG), no dia 3 de Fevereiro de 1985, quando um 'fusca' foi colhido por um caminhão 'Scânia', matando o seus cinco ocupantes, todos adolescentes de tradicionais famílias da cidade.

Rodrigo (Didido), 14 anos, um dos atingidos, voltou, através do médium Chico Xavier, trazendo notícias confortadoras para seus pais, Eis como descreveu o socorro (11):

Lembro-me de que saltamos do corpo, tão de improviso, que a cena me lembrou o amendoim quando salta da casca.
Vimo-nos todos de pé, ao lado de pessoas que pareciam nos esperar. Estávamos tontos e inseguros. (...)
Fomos então carregados para uma ambulância de grande tamanho, mas o ambiente estava diferente,
As pessoas que nos aguardavam, ao que parece, sabiam que nós todos íamos tombar ali mesmo, porque nos abraçaram qual se fôssemos crianças, e seguiram conosco, à pressa, na direção da ambulância. (...)
Assim que a ambulância deu partida, caímos todos num sono esquisito. (...)
Quando acordei, (...) vim a saber que o homem que carregava o Português, era o Dr. Sandoval de Sá. (...)
Ele me esclareceu que estávamos sob a proteção de nossas parentas, e falou-me que a vovó Minerva me havia suportado nos braços; que o Romêro havia sido transportado do carro para a ambulância pela nossa avó ou bisavó Filhuca; que a tia Geralda carregara o Guto desmaiado; e a tia Luizinha havia se encarregado de conduzir o Nadinho nos próprios braços.

Como vemos, a intercessão dos entes queridos no limiar da Vida Nova, reflete a misericórdia Divina em nosso favor.

Notas:
(6)O Livro dos Espíritos - n. 160 e 289.
(8)Novos Horizontes - pp. 25 a 30.
(9)A Volta - pp. 100 a 104.
Texto extraído do Cap. 3 do livro Nossa Vida no Além, de Marlene Nobre.

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