quarta-feira, 17 de março de 2010

A DOR QUE NÃO REDIME




Na extensa fila de recém-desencarnados, à espera de uma definição quanto ao seu futuro, dois Espíritos conversavam sobre suas experiências.

-Fui casado, deixei esposa e dois filhos.
-Interessante, eu também.
-Tive câncer no estômago.
-É muita coincidência. Foi o mal que me matou.
-Então sabe como é sofrido esse final de existência.
-Nem me fale!
-Lutei por três anos contra a doença, submetendo-me a tratamentos diversos.
-Sei bem o que é isso. Também penei por três anos.
-Desencarnei relativamente novo, com apenas 63 anos.
-Parece brincadeira! É o cúmulo da coincidência, porquanto também estou retornando nessa idade.
-Incrível! Duas biografias idênticas!
-Verdade. Não sei para onde vamos, mas certamente estagiaremos, no mesmo lugar, que há de ser bom. Jesus ensinava que os sofredores estão destinados ao céu.
-Deus o ouça!

A fila andou. Viram-se os gêmeos nas dores, diante de São pedro, na portaria do Além.
Após examinar detidamente a ficha do primeiro, o porteiro celeste o convidou a tomar o elevador sideral e subir para o Céu.
O segundo, animado, preparou-se para idêntico destino.
Para sua surpresa o santo determinou:

-O elevador irá para baixo, levando-o ao purgatório.

O condenado logo reclamou:

-Creio haver um engano. Meu companheiro tem ficha absolutamente idêntica à minha. Sofreu o mesmo que eu e foi para o Céu.

São Pedro, impertubável, informou:

-Sim, mas há um detalhe. Ele nunca reclamou.





******


Esta pequena alegoria ilustra a afirmativa do Espírito Lacordaire, no ítem 18:
"...Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus." 
Atenção, leitor amigo!
O mentor espiritual está dizendo com todas as letras que não basta sofrer para habilitar-se a futuro feliz.

É preciso sofrer com finesse, sem murmúrios, sem queixas, sem revolta nem desespero.
Se queremos ficar em paz no Além, é preciso cultivar a paz aqui, principalmente nas cobranças cármicas, evitando, com todas as forças da alma, que indesejável rebeldia imponha sofrimentos desnecessários aos familiares.

Ante a certeza de que um dia fatalmente retornaremos ao Mundo Espiritual, um ideal deveria nortear-nos a existência:
Sejamos lembrados como alguém que enfrentou com dignidade sua provação, sem lamúrias, sem rebeldia.
Sobretudo, sem impor sofrimentos indevidos aos familiares, comprometedores para nós, gerando dores que não redimem. 
Apenas prolongam nossos padecimentos.


Richard Simonetti
Bem Aventurados os Aflitos

2 comentários:

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