segunda-feira, 20 de setembro de 2010

AUTO-AMOR

Em geral, tenho postado no "Celeiro de Luz" textos que me fazem refletir, me encorajam, me confortam. Desta busca pessoal por entendimento e equilíbrio diante das lutas íntimas e da minha necessidade de aprendizado, através da literatura espírita, orientadora e consoladora por excelência, nasceu esse blog.

É por isso que, hoje, gostaria de partilhar mais um texto de Ermance Dufaux, Espírito de quem gosto muito e com quem aprendo cada vez mais a importância de me conhecer, aceitar, transformar e amar, sem pressa, sem metas impossíveis, consciente de que, como viajante da eternidade, minha caminhada é longa e de mãos dadas com o tempo .

Desejo a todos uma semana de paz. Um afetuoso abraço.

"Nós, os espíritas, temos feito progressos consideráveis no que tange ao amor ao próximo, erguendo trincheiras do bem e da caridade. Temos produzido e realizado fartas semeaduras de bênçãos junto aos grupos de amor. Raras vezes, entretanto, temos sabido amar a nós próprios. 




E existirá Amor maior a si que esse de saber lidar com essas sombras interiores que tentam empanar nossos anseios de Luz? 

Aprendamos esse amor e sejamos mais felizes. 

Amar nossa “sombra’, conquistando-a paulatinamente. 

Tolerar nosso passado, sem as impiedosas recriminações. 

Amar-nos, apesar do nosso passado de escolhas infelizes e decisões precipitadas, é fundamental para encetarmos um recomeço de vida espiritual rumo à liberdade. (...)


Coração querido, 



Piedade e complacência contigo mesmo. 
Estais em lutas acerbas a ponto de desistir? Persevera e luta. 
Busca na prece o que te falta: a força para continuar. 
Caridade contigo é o desafio do auto-amor. 
Sentes no imo da alma uma amargura incomensurável ante as faltas e deslizes a que descuidadamente te permitiste. Um sentimento avassalante de indignidade toma-te a alma, quando fazes o que não deverias ou deixas de fazer o quanto deverias. Conquanto as lutas, cuida para que essas sombras não empanem o brilho de Deus em ti, e confia na bondade do Pai que te confiará o necessário para a caminhada. 
Vigia teu mundo emotivo. Ninguém é indigno de Deus, em situação alguma, ainda mais agora que já te encontras com rumo e norte para recomeçar. 
Perdoa-te quantas vezes forem precisas e retoma teu programa de luz. 
Sentir-se indigno da Bondade Paternal é sintoma de melhora e sinceridade de tua parte. Pior seria se errasses novamente e acolhesses com inconsciência a tua escorregadela infeliz. 
Ainda te ocorrerá inúmeras vezes esse incômodo que, por fim, é o “anjo vigilante” de tua consciência advertindo-te com esse mal- estar para que não sucumbas outra vez na mesma furna de invigilância. 
Aceita-te tal qual és e prossiga. 
Não asiles em ti o sentimento de hipocrisia induzido pela hipnose do orgulho, que tentará de todas as formas fazer-te desacreditar das escolhas ainda vacilantes e pouco sólidas na tua nova caminhada. Hipocrisia existe quando o desejo e a atitude são precedidos pela intenção deliberada, em contraposição ao que já conheces. 
Logo mais, respeitando as investidas de tuas sombras, a quem deves também amar, perceberás a transformação e animar-te-á pelo esforço e sacrifício empenhados. 
Desistir, nunca! 
A auto-recuperação é um leito de convalescença na enfermaria da vida, exigindo teus cuidados sem interrupção. 
Um dia, o curativo da oração. Outro, a injeção do ânimo. Em outro mais, a medicação amarga do enfrentamento de tuas doenças. Ainda à frente, a imperiosa necessidade do esculápio na pessoa de um amigo para orientar-te. 
Terás recaídas, febres de ilusão, dores do desapego, cansaço de ansiar pela melhora, incômodos na cama das provações diárias, dificuldades para com necessidades básicas, o sono indisciplinado trazendo fadiga, o alimento que não desejarias causando-te a fome de esperanças, o banho limitado impedindo-te a sensação de leveza e bem-estar. 
Apesar disso o tratamento está se concretizando, ainda que não percebas. 
Por isso tenha paciência contigo, e não pare de amar-se. 
O amor a si mesmo é uma lição profunda e difícil, porém, não impossível. 
Comece já teu ministério de auto-amor e constatarás que esse aprendizado é a condição essencial na existência para o tão decantado amor ao próximo. 
Convivendo bem contigo, serás bom companheiro e amigo de teus grupos espirituais, fazendo-te mais útil nas mãos da vida, para o cumprimento da Lei da felicidade na melhoria social, em torno dos teus e dos passos alheios."

(Do livro "Laços de Afeto", de Ermance Dufaux, psicografia de Wanderley S. Oliveira).

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