quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O VÍRUS DA PAIXÃO

Os laboratórios de manipulação deveriam criar uma fórmula que pudesse combater a “paixão”, vírus estúpido que embota o ser humano, vez em quando. 


O vírus “paixão” infecta centenas de milhares de infelizes que vagueiam, aturdidos, em busca de sorver a energia da vítima. E o pior é que os contaminados se sentem felizes, acolhidos e de bem ilusório com o mundo.


Os sintomas deste mal são diversos, dos físicos aos morais: cegueira e problemas oftálmicos como dilatação da pupila e visão turva, alucinações, tontura – na própria acepção da palavra, males do aparelho digestório, insônia, dores de cabeça freqüentes (no momento ou depois), suores, fraqueza (orgânica e de caráter), entre outros.


Os remédios que combatem esta enfermidade podem vir com rótulos como “desapaixonite” ou mesmo “desbesteirol”, ou, porque não, “destontex”. Os elixires também podem servir à medicina preventiva. Assim, quem não deseja ser contaminado, toma vacinas tipo “bomsensonol” ou “sabedorite” ou mesmo “amorex”.

A doença, ocasionada por este vírus, parte do pressuposto que o homem deve procurar a sua alma gêmea, como se o Universo inteiro não fosse “gêmeo”. Essa busca sedenta, na maioria das vezes sem critérios, deseja a famigerada metade da laranja, o que torna as pessoas vulneráveis e dependentes de algo que nunca encontram. 



A procura, sem dúvida alguma, é uma das causas principais da infelicidade suprema nas pessoas, em conjunto com a procura vampiresca do sexo pelo sexo (roubo e descarga de energia - parte animal que ainda nos cabe e faz com que pensemos com e na cabeça de baixo, boicotando a de cima).

Isso não quer dizer que devemos nos tornar castos e intocáveis, porém, uma certa dose de equilíbrio e lucidez evita a contaminação. O sexo é uma poderosa usina de energia quando muito bem canalizada. Escoar esta energia e descarregá-la em qualquer “vaso de sêmen”, não traz benefício algum – é como se abríssemos uma torneira para o nada. 



Um outro agravante é que, quando se “transa” com alguém, as auras e os campos energéticos se fundem e a contaminação energética é obrigatória. Isso quer dizer que você pode estar dormindo literalmente com o inimigo e nem de dá conta disso. Mas, isso são outros quinhentos, aliás, quinhentos anos a mais de encrencas cármicas.

Para finalizar, a bactéria apaixonante se instala nas partes baixas do organismo: do aparelho digestório (sede das emoções) aos pés, que sempre trilham por vias perigosas. As pernas ficam bambas e se confundem, numa dança insana e trôpega. O resultado final disso tudo, ou seja, seu estágio derradeiro, é quase sempre traumático. Culpa, autoculpa, desrespeito mútuo, descalabro, vingança, ira, baixa-estima, solidão.

Previna-se! Ao contrário da opinião da maioria contaminada, o Ministério do Bom Senso adverte: paixão é prejudicial à saúde!

Já o amor verdadeiro... Ah, esse é a cura real das paixões desvairadas.

Mauricio Santini.
Texto original no portal do IPPB.

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