domingo, 16 de janeiro de 2011

EM VERDADE VOS DIGO: BOM SENSO É PRECISO.

Conversando no ônibus, Dona Dulce e sua amiga Cecília, não perceberam que Dona Lequinha sentara-se bem perto e estava de ouvido atento ao que diziam as duas amigas. A conversa girava em torno de Dionísio, o gato de estimação de Dona Dulce. No entanto, Dona Lequinha entendeu que elas estavam falando era de outro homem na vida de Dona Dulce. E o mal-entendido aumentou, quando um rapaz, ao descer, disse a Dona Dulce: - "Vá tranquila, amanhã telefonarei".


Ao chegar em casa, Lequinha começou a falar com o marido: "Você não sabe o que vi hoje. Dona Dulce, que sempre nos pareceu uma santa, está de aventuras". E foi por aí. O marido de Lequinha, como era colega de trabalho de Júlio na oficina, esposo de Dona Dulce, procurou-o pela manhã e em tom sigiloso comentou tudo o que sua mulher teria visto no ônibus, no dia anterior.
Júlio escutou a denúncia, e foi para casa mais cedo. No fundo, ansiava por um entendimento com a esposa, aconselhá-la, saber o que havia de certo. Chegando em casa ouviu Dona Dulce que falava ao telefone. "Ah! Sim!"..., "Não há problema", "Hoje mesmo". "Às três horas..." "Meu marido não pode saber...". Depois das três da tarde, Júlio entrou no lar. Entreabriu devagarinho a porta do quarto e viu um rapaz em mangas de camisa, inclinado sobre o leito. De imaginação envenenada, concebeu a pior interpretação, e no galpão dos fundos da casa infelizmente enforcou-se.
Só então, no velório, ao choro de Dona Dulce, a fofoca foi totalmente esclarecida. Dionísio era apenas o belo gatinho angorá que ela criava; o moço do ônibus que ficou de telefonar era o veterinário que tratava do gato doente; o telefonema que Júlio ouvira às três horas era sobre a encomenda que Dona Dulce fizera de um colchão de molas para fazer uma surpresa ao marido; e o rapaz que estava no quarto era exatamente o empregado da casa de móveis.
Dona Lequinha, diante do suicida no caixão, comentou com a amiga a seu lado: "Que homem precipitado... morrer por uma bobagem! A gente fala certas coisas, só por falar!..." 
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A pior consequencia que pode ter o mal fadado hábito da fofoca é a desta da crônica. Mas, diariamente, vitimamos e somos vitimados por tantos mal entendidos, que motivam tantos relacionamentos desfeitos, sonhos destruídos, esperanças apagadas por conta do 'inocente' telefone sem fio de quem conta um conto e aumenta um ponto. 

Em tempos de urgência de reforma íntima, procuremos refletir sobre isso e lembremos sempre da 'Prece por Visão', de Emmanuel.

"Senhor, ensina-me a ver as minhas próprias faltas,
auxiliando-me a corrigi-las, (...)apaga-me a vocação de descobrir as faltas alheias(...)"



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Esta crônica foi extraída do livro 'Ideias e Ilustrações', do Espírito Irmão X, psicografia de Chico Xavier também publicada na coluna de Gerson Monteiro, no jornal 'O Extra', de 16/01/2011.


E para você, afinal quem foi o maior culpado nesta história?
 Sobre o Autor: 
SEU NOME Valerie, carioca, nasceu em 24 de Julho, filha de pernambucanos, ela uma dona de casa, ele militar. Enfermeira, funcionária pública, espírita por necessidade e oportunidade evolutiva, convicção e amor pela Doutrina.

 

2 comentários:

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